Não tem lugar na mesa do chá

21 outubro 2013

Eu nunca me senti tão frustrado assim antes. Não por causa do teatro. Quando participei pela primeira vez da oficina, há quase 2 anos, eu finalmente tinha encontrado alguma coisa que eu me sentia parte. Era aquilo que eu queria fazer pelo resto da minha vida, era aquilo que eu fazia de melhor. Ser outra pessoa. Qualquer pessoa, que não eu. Quem já participou de um grupo de teatro sabe o quanto a gente tem que conviver com o improviso. Criar uma cena do nada, ou de um objeto. Só deixaram de me avisar que aquilo valeria mais para a vida do que para os palcos. Hoje de manhã, depois de inúmeras teorias sobre quem seria quem, foram distribuído os papéis. E eu consegui, queria gritar pro mundo que eu seria o Chapeleiro. A cena do chá era minha.

Mas nem tudo são torrões de açúcar e, quando peguei o roteiro, já estava tudo ali: as falas, as marcações, os atores que nunca me dirigiram a palavra mas contracenariam comigo. Já tinha vida ali,bem ali no papel, tudo o que faltava era um corpo. O meu corpo. Ensaiei com os outros, uma, duas, três vezes. Depois nos chamaram e então passamos as falas na frente de quem sabia o que fazer. Queria não ter entrado naquela sala. Nem ter falado tão rápido. Também queria não estar listando meus erros aqui, mas não consigo. Foi frustrante. Só não chorei por pura desidratação. O que o diretor queria era um Chapeleiro muito feliz, cheio de movimentos e eu? Sou feliz de menos. Na vida, na peça, tanto faz. Agora não sei se consigo.

Tenho uma semana pra aprender a ser louco do jeito certo. Sete dias, ou volto pra detrás das cortinas.



{ilustração daqui ó}