Eu nunca me senti tão frustrado assim antes. Não por causa do teatro. Quando
participei pela primeira vez da oficina, há quase 2 anos, eu finalmente tinha
encontrado alguma coisa que eu me sentia parte. Era aquilo que eu queria fazer pelo
resto da minha vida, era aquilo que eu fazia de melhor. Ser outra pessoa. Qualquer
pessoa, que não eu. Quem já participou de um grupo de teatro sabe o quanto a gente tem
que conviver com o improviso. Criar uma cena do nada, ou de um objeto. Só deixaram de
me avisar que aquilo valeria mais para a vida do que para os palcos. Hoje de manhã,
depois de inúmeras teorias sobre quem seria quem, foram distribuído os papéis. E eu
consegui, queria gritar pro mundo que eu seria o Chapeleiro. A cena do chá era minha.
Mas nem tudo são torrões de açúcar e, quando peguei o roteiro, já estava tudo ali: as
falas, as marcações, os atores que nunca me dirigiram a palavra mas contracenariam
comigo. Já tinha vida ali,bem ali no papel, tudo o que faltava era um corpo. O meu
corpo. Ensaiei com os outros, uma, duas, três vezes. Depois nos chamaram e então
passamos as falas na frente de quem sabia o que fazer. Queria não ter entrado naquela
sala. Nem ter falado tão rápido. Também queria não estar listando meus erros aqui, mas
não consigo. Foi frustrante. Só não chorei por pura desidratação. O que o diretor
queria era um Chapeleiro muito feliz, cheio de movimentos e eu? Sou feliz de menos. Na
vida, na peça, tanto faz. Agora não sei se consigo.
Tenho uma semana pra aprender a ser louco do jeito certo. Sete dias, ou volto pra detrás das cortinas.
Tenho uma semana pra aprender a ser louco do jeito certo. Sete dias, ou volto pra detrás das cortinas.
