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3 em 3: perspectivas e métricas

19 junho 2026

Faz-se necessário se desorganizar. E assim eu fiz: cavuquei gavetas demais, desembrulhei memórias, empilhei roupas e me peguei deitado no chão olhando para a cama de um jeito que nunca antes. Na verdade, eu tava olhando para os bastidores da cama. A parte de baixo. Vexaminosamente empoeirada. O quarto pareceu maior e eu me perguntei quantos outros ângulos de uma casa chegando aos trinta junto comigo eu nunca explorei.

Mas eu nem tô aqui pra falar disso. A aflição começou quando eu fui buscar uma foto HORIZONTAL para ilustrar o post anterior. Precisava ser horizontal? Sim, pois inventei esse tique logo após o almoço enquanto eu me revezava entre pensamentos avulsos e um pudim. E foram poucos os achados. Olhar horizontalmente se tornou pretensioso pra mim e, aparentemente, agora eu só existo numa composição desengonçada e vertical. Sem muito ao redor. Será visão periférica me causa ansiedade?

Pausa para mais uma foto horizontal oriunda das minhas suadas 
buscas por pastas de meados de janeiro de 2010.

Já sabemos que: 1. É importante se deitar em côncavos, cantos e espaços limiares da casa pra saber onde tá sujo. 2. Preciso equilibrar melhor as orientações das minhas fotos e compensar meu desaforo com o modo paisagem (enquanto sigo ciente do quão individual é esse conselho). 

E chegamos no terceiro tópico.

Decidi, bem depois do pudim acabar, eu desistir de me desorganizar e voltar as roupas para seu lugar de conforto (afinal, um de nós precisa habitá-lo), que eu precisaria de uma métrica para classificar a solidão. Eu sei. Nonsense. Mas me aproximei de uma métrica justa. Vê se você concorda: quantos dias úteis até alguém perceber que você partiu dessa? Se eu morro às 16h32 de uma quarta, quantos dias ÚTEIS até alguém notar? Sabendo, é claro, que o dia útil começa no horário comercial.  

Eu não me ressentiria pelo possível descaso defuntífero (visto que o país funciona pouco antes do Carnaval e morrer num feriado imprensado é quase de mal gosto), mas achei reconfortante ter uma resposta pra isso. Ainda mais depois de maquinar várias estratégias para que eu seja eternamente pendente na vida alheia. Vou sempre deixar pra amanhã o que eu posso resolver hoje, porque a dose certa de ausência faz ninho no pensamento alheio. 

Logo, sabemos que: seja pendência na vida de terceiros. Serve pra tudo que vem antes de morrer também. 


3 em 3: traz garfo e faca por favor

06 julho 2014

Não consigo desapegar dessa vibe gordice que o fim de semana tá me proporcionando. Apenas preciso falar sobre comida. Porque sim, porque comida é vida e porque tô sem assunto pra hoje e antes falar disso do que comentar o clima, certo? Ninguém merece conversa de elevador, awkward.

E aí que eu juntei a tag 3 em 3 do blog com o máximo de gordura trans que eu consegui imaginar só pra comentar os doces mais gostosos e mais difíceis de encontrar por aí. O útil agarradinho no agradável, já que a gente vai só passar vontade. 

Sorvete de Pistache 


Eu não sei o que é pistache, só sei que é verde e talvez com coisinhas crocantes em cima. É que eu nunca vi pra vender na minha cidade. Mas isso não impede de ser o meu sabor favorito de sorvete, mesmo nunca tido experimentado. Detalhes, gente. Sabor bom é sabor difícil de achar, nada de um chocolate básico nem nada, a gente quer é pistache. #VaiTerPistache 

Macarons


Cabô isso de cupcake, o muso dos hispters agora é o macaron. Que, aliás, não é massa italiana, é essa coisinha com cara de biscoito recheado, porém colorido e talvez mais gostoso. O primo rico dos biscoitos, será? O problema é que só vejo disso em filme e casamentos. E casório tá bem em falta ultimamente. 



Bolo de Chocolate Obsceno


Boatos que bolo de chocolate é bom de qualquer jeito e se encontra aos montes por aí. Mito. Só há um bolo de chocolate que te deixa com vontade de mergulhar numa banheira abarrotada dele. E só vende aqui gente. O negócio é tão bom que ganhou até nome obsceno: orgasmo de chocolate. Só sei que vende na Pé de Moleque, que tem num shopping daqui. Se tiver na sua cidade vai correndo lá, nem é merchan gente, é sincero. 

3 em 3: uma rainha, um labirinto e um pseudo anos 50

02 janeiro 2014

Você não sabe o quanto é viciado em alguma coisa até estar se debatendo por abstinência. Não que eu tenha chegado a tal ponto, mas senti na pele o que é ficar longe de um computador por semanas (que se transformaram em décadas de tão longas). E enquanto o meu computador não voltava do coma induzido (que eu descobri, mais tarde, ser um problema na memória ) gastei todo o meu tempo de ócio nutrindo uma paixão antiga: filmes. Mesmo não tendo um catálogo muito extenso, já que eu tava dependendo da tevê e dificilmente passam filmes bons (ou decentes ou que não tenha um cachorro como protagonista), escolhi três deles pra convencê-los de assistir também. Sem resenhas, apenas três motivos pra vocês saírem correndo pra locadora mais próxima.

Marie Antoinette


#1 O filme tem um dos visuais mais lindos da história do cinema.  A fotografia, o figurino e afins praticamente cheiram a cupcakes e macarons. Tudo muito colorido e envolto em tons pastéis. Nada exagerado, só o suficiente pra te fazer querer se jogar num tigela de cobertura pra bolo. Não é a toa que levou o Oscar de Melhor figurino (2007).

#2 É dirigido por Sofia Coppola. A moça , que apesar de ter um currículo mínimo se comparado ao talento, dirigiu The Bling Ring e é especialista em levar o espírito de ostentação dos personagens pros seus longas.

#3 É de época, mas você vai ficar em dúvida. O filme conta a história de Maria Antonieta se tornando rainha em épocas de Revolução Francesa. Mas o longa é inteiro regado por trilhas sonoras atuais de rock alternativo e festas que, não fosse o figurino, poderiam ter saído de Gossip Girl.  


O Labirinto do Fauno


#1 Não é um filme infantil, sério. Esqueça o título e tudo o que você sabe sobre faunos (Grover ou Sr. Tumnus, nem pensar). Esse pode até te dar medo, assim como o restante dos personagens ou o labirinto um tanto macabro. O longa é quase um terror.

#2 Você vai gostar da Ofélia. É pelos olhos da menina que a gente conhece o lugar de verdade e dificilmente você não vai se ver encantado por ela até o choroso final do filme.

#3 Não é americano. O filme é espanhol e mexicano. Dirigido por Guillermo del Toro, que também filmou O Orfanato (só ressaltando que o filme é um tanto sombrio).

The Spirit


#1 Podia se passar nos anos 50. O filme é todo filmado num maior estilo noir, exala anos 50 com os figurinos e até na forma canastrona dos personagens. Mas eles tem internet por lá.

#2 Você deve gostar do elenco. Admito que não faço ideia de que interpreta o herói do filme, mas who cares quando se tem Scarllet Johansson, Eva Mendes e Sarah Paulson (a Lana de American Horror Story) dividindo a cena.

#3 É sobre um super-herói, mas é bom. É um dos poucos filmes que mostra o que há por trás do justiceiro e não um amontoado de cenas de luta contra o vilão.