Me acorde em treze anos ou mais

09 junho 2026

Em algum lugar da casa soa um alarme. De hora em hora. Breve, sucinto e com pouco a dizer. Não me consterna porque eu sei quem é o responsável. Um relógio marrom de pulso, de camelô e de muitos adjetivos não favoráveis. Imagino que se esconda no fundo de uma gaveta que não me atrevo a abrir. Mas o principal ainda não foi dito: ele está adiantado. Aproximadamente treze minutos. E quem diria que isso seria o mais encantador desse som empoeirado? 

Ele me avisa que ainda tenho treze minutos e aquilo que poderia me incomodar só me coloca em alerta. Me lembra dos meus próprios ponteiros e de um tempo que eu não posso controlar, mas posso usar ao meu favor.

Comecei esse blog há uns treze anos com alguma intenção. Não sei ao certo qual, mas sei que eu não pretendia falar comigo mesmo ou uma versão mais cansada de mim. E foi exatamente nisso que esbarrei. Lembrei que esse lugar existia. Privado. Resguardado. Talvez vizinho do relógio precoce do início desse texto em uma gaveta mais profunda. Fui ávido atrás dos meus escritos e pensamentos de um jovem-eu ainda não calejado. 

Achei tão pouco. Quantitativamente mesmo. Só um punhado de pensamentos, vontades e alusões. Queria ter passado uma madrugada debruçado sobre quem eu era ou pensava ser, mas eu sequer tinha dez minutos de registros.

Uma foto (horizontal) de 22 de outubro de 2016. Quase dez anos desde esse céu. 

E assim eu deixei a vida passar: pessoas, lugares, momentos, acertos, dores e afins. Confiei demais numa memória calejada. Deixei que ela pescasse pensamentos num lago raso. Sigo faminto (e seguiria de qualquer forma, pois não como peixe).

Sinto falta disso. Dos meus parênteses obtusos falando nada-com-nada. Mas sinto mais falta de ser. Sinto falta de registrar. Ainda mais agora, sabendo que lá na frente alguém vai se propor a ver e ouvir. Ou vai esbarrar em algo talvez insignificante para o mundo, mas que me avisa que ainda faltam treze minutos para a hora virar. Alguém mais atento do que eu fui.

3 em 3: traz garfo e faca por favor

06 julho 2014

Não consigo desapegar dessa vibe gordice que o fim de semana tá me proporcionando. Apenas preciso falar sobre comida. Porque sim, porque comida é vida e porque tô sem assunto pra hoje e antes falar disso do que comentar o clima, certo? Ninguém merece conversa de elevador, awkward.

E aí que eu juntei a tag 3 em 3 do blog com o máximo de gordura trans que eu consegui imaginar só pra comentar os doces mais gostosos e mais difíceis de encontrar por aí. O útil agarradinho no agradável, já que a gente vai só passar vontade. 

Sorvete de Pistache 


Eu não sei o que é pistache, só sei que é verde e talvez com coisinhas crocantes em cima. É que eu nunca vi pra vender na minha cidade. Mas isso não impede de ser o meu sabor favorito de sorvete, mesmo nunca tido experimentado. Detalhes, gente. Sabor bom é sabor difícil de achar, nada de um chocolate básico nem nada, a gente quer é pistache. #VaiTerPistache 

Macarons


Cabô isso de cupcake, o muso dos hispters agora é o macaron. Que, aliás, não é massa italiana, é essa coisinha com cara de biscoito recheado, porém colorido e talvez mais gostoso. O primo rico dos biscoitos, será? O problema é que só vejo disso em filme e casamentos. E casório tá bem em falta ultimamente. 



Bolo de Chocolate Obsceno


Boatos que bolo de chocolate é bom de qualquer jeito e se encontra aos montes por aí. Mito. Só há um bolo de chocolate que te deixa com vontade de mergulhar numa banheira abarrotada dele. E só vende aqui gente. O negócio é tão bom que ganhou até nome obsceno: orgasmo de chocolate. Só sei que vende na Pé de Moleque, que tem num shopping daqui. Se tiver na sua cidade vai correndo lá, nem é merchan gente, é sincero. 

Meus dias de hula hula

04 julho 2014

Eu tô vivendo um momento agoniante de nostalgia ultimamente. Agoniante porque isso é o primeiro indício de que tô ficando velho, um tipo de amostra grátis do que vai ser minha crise da meia-idade (ugh). Dia desses eu tava rememorando as ultimas vezes que eu fui à praia, realidade distante porque agora não vejo benefício nenhum em voltar cheio de areia, sal, olho ardido e queimaduras beirando o segundo grau. Não compensa, apenas. 

Mas uma coisa faz falta: comida de praia. Convenhamos que comida é o que move o mundo. E o que eu não daria por um hula hula??? Não a dançinha havaiana com coquinhos e saias de palha, não gente. Mas uma bebida deliciosa com gostinho de vida. Vou até explicar como faz:


{ilustração daqui ó}

Primeiro você arranja um abacaxi, nem precisa ser doce porque ele não vai na receita não. Nele é onde vai a bebida em si. Toda a graça da coisa tá aí. E hula hula sem abacaxi é o mesmo que cosmopolitan servido em copo descartável. Daí você reaproveita todo o miolo do abacaxi em outra coisa, exercite sua criatividade. Abacaxi oco cortado ao meio, já temos um copo e podemos partir pra bebida.

Que não é nada mais que morango (você pode usar o abacaxi aqui também), leite condensado e vodca bem batido e despejado de volta no nosso abacaxi. Mais fácil que cup noodles.

Acorda Brasil, vamos hypar essa coisa que é pra eu poder comprar em qualquer lugar. Agradecido. Aliás, não coloquei medidas nem nada porque isso não é blog culinário ainda. E à gosto sempre dá certo. :)